O VOO INTERROMPIDO DE ÍCARO NO ASFALTO

BAKHTIN, NECROPOLÍTICA E A REESCRITA DA LOUCURA EM "ISMÁLIA" DE EMICIDA

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DOI:

https://doi.org/10.56579/epistimoniki.v3i2.100

Palavras-chave:

Ismália, Emicida, Polifonia, Necropolítica, Racismo Estrutural

Resumo

O presente artigo analisa a canção "Ismália", de Emicida (2019), com base na polifonia bakhtiniana que tensiona a presença do cânone literário brasileiro na canção popular. A partir do diálogo com o poema homônimo de Alphonsus de Guimaraens (1923) e o intertexto com "Duas Cidades" do BaianaSystem (2016), investiga-se como a figura mitológica de Ícaro e a lírica simbolista de Ismália são reterritorializadas para denunciar o racismo estrutural. O texto discute a "loucura" de Ismália não como patologia mística, mas como efeito da negação do racismo e da necropolítica. Utilizando os aportes de Mikhail Bakhtin, Frantz Fanon e Lélia Gonzalez, dentre outros, o artigo expõe as fraturas do Mito da Democracia Racial, proposta por Gilberto Freyre, e a situação de "prisão involuntária" da população negra no labirinto social brasileiro.

Biografia do Autor

Joyce Helen Neves da Silva, Universidade de Brasília

Graduada em Ciências Sociais: Sociologia e Antropologia pela Universidade de Brasília e Mestranda em Antropologia pela Universidade de Brasília.

 

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Publicado

2026-04-24

Como Citar

Alves Neves, M., & Neves da Silva, J. H. (2026). O VOO INTERROMPIDO DE ÍCARO NO ASFALTO: BAKHTIN, NECROPOLÍTICA E A REESCRITA DA LOUCURA EM "ISMÁLIA" DE EMICIDA. EPISTIMONIKI: Revista De Educação, Práticas Interdisciplinares E Inovação Científica, 3(2). https://doi.org/10.56579/epistimoniki.v3i2.100

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