ANÁLISE HISTÓRICA DA LAQUEADURA TUBÁRIA E AS SUAS MODIFICAÇÕES NO ÂMBITO DO DIREITO: UMA REVISÃO DA LITERATURA

Visualizações: 4

Autores/as

  • JOSÉ RINALDO DOMINGOS DE MELO IFPE

DOI:

https://doi.org/10.56579/epistimoniki.v3i3.116

Palabras clave:

Laqueadura tubária. Saúde Sexual. Autonomia Feminina. Autonomia.

Resumen

O objetivo do presente estudo é analisar a autonomia da mulher na tomada de decisão para a realização do procedimento cirúrgico de laqueadura tubária à luz das limitações impostas pela Lei nº 9.263/96, também conhecida como Lei do Planejamento Familiar, bem como também da nova lei nº 14.443/2022. O direito fundamental à autonomia reprodutiva permite às mulheres exercer plenamente a sua cidadania e desenvolver a sua personalidade. Com base nesta análise, foi possível concluir que as exigências do tipo previstas na Lei do Planeamento Familiar para o acesso a laqueadura violam direitos e garantias constitucionais fundamentais, particularmente as das mulheres, tendo em conta as disparidades de gênero que definem a esfera social. A metodologia de pesquisa utilizada para este estudo foi a pesquisa bibliográfica e exploratória.  Contudo, diante a análise da nova lei, conclui-se que, a lei nº 14.443/2022 é um avanço significativo na proteção dos direitos reprodutivos das mulheres no Brasil. Ao reconhecer a importância da autonomia da mulher sobre o seu próprio corpo, a legislação apoia o avanço da saúde sexual e reprodutiva, bem como a igualdade de gênero.

Citas

ALVES, Deborah Alvim Monteiro Batista et al. Mudanças legais no processo de esterilização feminina: os novos dilemas éticos envolvendo a laqueadura. Revista Bioética Cremego, vol. 04 n.2, 2022. Disponível em: https://rbc.emnuvens.com.br/cremego/article/view/69. Acesso em: 5 de out.2023.

ÁVILA, Maria Betânia. Direitos sexuais e reprodutivos: desafios para as políticas de saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 19, p. S465-S469, 2003. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2003000800027. Acesso em: 29 set. 2023.

BARROS, Rodrigo Janot Monteiro de. Manifestação Ação direta de inconstitucionalidade 5.097/DF. 28 de setembro de 2015. Disponível Online em: . Acesso em: 10. Out. 2023.

BARROSO, Carmen. Esterilização feminina: liberdade e opressão. Revista de Saúde Pública. São Paulo, 17 de maio de 1983. Disponível Online em: < https://www.scielosp.org/article/rsp/1984.v18n2/170-180/pt/>. Acesso em: 01 de out. 2023.

BERQUO, Elza; CAVENAGHI, Suzana. Direitos reprodutivos de mulheres e homens face à nova legislação brasileira sobre esterilização voluntária. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, 19(Sup. 2): S441-S453, 2003. Disponível em: . Acesso em 10 out. 2023.

BRASIL. Congresso Nacional. Exame da incidência da esterilização em massa de mulheres no Brasil. Brasília: Comissão Parlamentar de Inquérito, 1993.

BRASIL. Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996. Regula o § 7º do art. 226 da Constituição Federal, que trata do planejamento familiar, estabelece penalidades e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9263.htm>. Acesso em: 04 de out. 2023.

BRASIL. Lei n. 9.656, de 02 de junho de 1998. Dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. Diário Oficial da União. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9656.htm. Acesso em: 24 set. 2023.

BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher – PNDS 2006 : dimensões do processo reprodutivo e da saúde da criança/ Ministério da Saúde, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres / Ministério da Saúde, Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa – Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

BRASIL. Lei n. 14.443, de 2 de setembro de 2022. Altera a Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, para determinar prazo para oferecimento de métodos e técnicas contraceptivas e disciplinar condições para esterilização no âmbito do planejamento familiar. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 set. 2022. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2019-2022/2022/Lei/L14443.htm. Acesso em: 24 de set. 2023.

BRAUNER, Maria Claudia Crespo. Direito, sexualidade e reprodução humana: conquistas médicas e o debate bioético. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. 230 p.

CAETANO, André Junqueira. Esterilização cirúrgica feminina no Brasil, 2000 a 2006: aderência à lei de planejamento familiar e demanda frustrada. R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, v. 31, n.2, p. 309-331, jul./dez. 2014. Disponível Online em: . Acesso em: 10 de out. de 2023.

CANOTILHO, J.J. Gomes; MOREIRA, Vital. Constituição da República Portuguesa Anotada, v.1, São Paulo: RT, Coimbra, 2017.

COELHO, Fábio Ulhôa. Curso de Direito Civil. Parte Geral. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

COSTA, A. M. Planejamento familiar no Brasil. Revista Bioética, v. 4, n. 2, 2019.

DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito de família. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

DOEDERLEIN, Natalia. Publicada lei que reduz idade mínima para laqueadura e vasectomia. Publicado em: 06/09/2022. Disponível em: https://www.orzil.org/noticias/publicada-lei-que-reduz-idade-minima-para-laqueadura-e-vasectomia/. Acesso em: 28 de set.2023.

DUARTE, Bruna Chaves; ROMIG, Julia Amanda. Direito reprodutivo da mulher: aspectos da Lei de esterilização voluntária. Artigo (Curso de Direito), Instituição de Ensino Superior (IES) da rede Ânima Educação, 2023. Disponível em: https://repositorio.animaeducacao.com.br/bitstream/ANIMA/29306/1/TCC%20BRUNA%20E%20JULIA.pdf. Acesso em: 26 de set. 2023.

FRANZE, Ana; WALL, Deisi; LOEWEN, Marilene. Contextualização e Resgate Histórico dos Direitos Sexuais e Reprodutivos. Biblioteca Temática: REA/PEA UFPR. Paraná, p. 1-11, 2018. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/53945. Acesso em: 20 de out de 2023.

GOULART, Mariana; Ribeiro, Adilson Pires. Entre a autonomia reprodutiva e servidão patriarcal: reflexões sobre a Lei 14.443/2022. Boletim IBCCRIM, vol. 31, n. 365, p. 23–26, 2023.disponivel em: https://publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/boletim_1993/article/view/471. Acesso em: 24 de set. 2023.

LAGO, Tânia Giocomo do. Laqueadura - entrevista. Drauzio Varella, 2011. Disponível Online em: . Acesso em: 10 de out. de 2023.

LEÃO, Renata Almeida; MONTE, Angélica Augusta Linhares. Direitos sexuais e reprodutivos das mulheres no brasil – notas para o debate. 2013. http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2013/JornadaEixo2013/anais-eixo7-questoesdegeneroetniaegeracao/direitossexuaisereprodutivosdasmulheresnobrasil-notasparaodebate.pdf. Acesso em 03 de out.2023.

LIMA, M.S; Santos, E.J.A. Direitos reprodutivos das mulheres: uma revisão de literatura. Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro, v. 9, n. 1, pág. 1742-1747, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.19175/recom.v9i1.3837. Acesso em: 22 de set. 2023.

MACHADO, Rogério Bonassi et al. Different Perceptions among Women and Their Physicians Regarding Contraceptive Counseling: Results from the TANCO Survey in Brazil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia [online]. 2020, v. 42, n. 5. Disponível em: https://doi.org/10.1055/s-0040-1712145. Acesso em: 22 set. 2023.

MADALENO, Rolf. Curso de Direito de Família. Rio de Janeiro: Forense. 2016.

MARUYAMA, Natalia. 5 cenários onde mulheres ainda sofrem com a desigualdade de gênero. Revista Claudia. São Paulo, 9 nov 2018. Disponível Online em: < https://claudia.abril.com.br/sua-vida/5-cenarios-onde-mulheres-ainda-sofrem-com-adesigualdade-de-genero/>. Acesso em: 7. Out. 2023.

MATTAR, Laura Davis; DINIZ, Carmen Simone Grilo. Hierarquias reprodutivas: maternidade e desigualdades no exercício de direitos humanos pelas mulheres. Revista Interface – Comunicação, Saúde, Educação. Vol.16, n. 40, 2018.

MENDES, Ivana Mércia Aragão. A autonomia da mulher sobre sua capacidade reprodutiva: o direito de não ter filhos. Fortaleza Dissertação (mestrado) - Universidade de Fortaleza, 2019.

RODRIGUES, Maria Adriana Faria. Os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres em pauta: breve retrospectiva. Boletim de Conjuntura (BOCA), Boa Vista, v. 6, n. 16, p. 58–68, 2021. Disponível em: https://revista.ioles.com.br/boca/index.php/revista/article/view/292. Acesso em: 02 de out. 2023.

SANCHES, Mário Antônio; SILVA, Daiane Priscila Simão. Planejamento familiar: do que estamos falando?. Ver. Bioét. 24. Disponível Online em: . Acesso em: 10 de out. de 2023.

SANTOS, Franciele B.; OLIVEIRA, Lillian Z., OLIVEIRA, Lourival J. Violação a autonomia corporal e reprodutiva da mulher. Conhecimento & Diversidade, Niterói, v. 13, n. 31, p. 42–54. PDF. 2021.

SEDICIAS, Sheila. Laqueadura: o que é, vantagens, desvantagens e recuperação. Revista Tua Saúde. 2022. Disponível Online em: . Acesso em: 10 de out. 2023.

SCHERER, Juliana Inês; MATHIAS, Thaisa Cristina. A liberdade reprodutiva como direito fundamental: uma análise sob a perspectiva da pessoa humana. Revista de Direito do Consumidor, v. 128, p. 67-88, nov./dez. 2022.

SOUSA, Pâmela Rodrigues. A Lei de Planejamento Familiar e o cerceamento à liberdade individual: retrocesso aos direitos das mulheres. Monografia (Curso de Direito), Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC GOIÁS), Goiânia, 2022. Disponível em: https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/handle/123456789/4177. Acesso em 02 de out. 2023.

SOUZA, Carola Maciel de. Lei do Planejamento Familiar e o Direito da Mulher Dispor do Próprio Corpo: Análise Aos Requisitos Para a Esterilização Voluntária. Revista Âmbito Jurídico. 3 de out. 2019. Disponível Online em: . Acesso em 10 de out. 2023.

TANNURI, Claudia Aoun; HUDLER, Daniel Jacomelli. Aspectos do planejamento reprodutivo na atualidade: a atuação estatal e a esterilização voluntária. 30 de jan de 2017. Disponível em: https://ibdfam.org.br/artigos/940/Aspectos+do+planejamento+reprodutivo+na+atualidade:+a+atua%C3%A7%C3%A3o+estatal+e+a+esteriliza%C3%A7%C3%A3o+volunt%C3%A1ria. Acesso em: 10 de out. 2023.

TEIXEIRA, I.M; MOURA, L.B.O.F; SOUZA, E.C. Laqueadura e a ausência de liberdade da mulher com o seu corpo: a intervenção estatal no processo de construção familiar. Trabalho de Conclusão de Curso, Artigo (Graduação em Direito), Universidade Potiguar – UNP, Natal, Rio Grande do Norte, 2022. Disponível em: <https://repositorio.animaeducacao.com.br/bitstream/ANIMA/22472/1/LAQUEADURA%20E%20A%20AUS%C3%8ANCIA%20DE%20LIBERDADE%20DA%20MULLHER%20COM%20O%20SEU%20CORPO_Rev.pdf>. Acesso em: 10 de out. 2023.

TOMAZONI, Larissa; GOMES, Eduardo B. Afirmação histórica dos direitos humanos das mulheres no âmbito das Nações Unidas. Cadernos da Escola de Direito UNIBRASIL, Tarumã, v. 2, n. 23, p. 44-59, jul./dez. 2015.

VARELLA, Drauzio Antônio. Laqueadura – entrevista. Portal Drauzio Varella – UOL. São Paulo, 22 de set. de 2011. Disponível Online em: < https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/laqueadura-entrevista/>. Acesso em: 03 de out. 2s023.

VENTURA, Mirian. Direitos Reprodutivos no Brasil. 3ª ed. Brasília/DF, 2014.

Publicado

2026-08-08

Cómo citar

MELO, J. R. D. D. (2026). ANÁLISE HISTÓRICA DA LAQUEADURA TUBÁRIA E AS SUAS MODIFICAÇÕES NO ÂMBITO DO DIREITO: UMA REVISÃO DA LITERATURA. EPISTIMONIKI: Revista De Educação, Práticas Interdisciplinares E Inovação Científica, 3(3). https://doi.org/10.56579/epistimoniki.v3i3.116

Artículos similares

<< < 1 2 

También puede {advancedSearchLink} para este artículo.

Artículos más leídos del mismo autor/a