“POVO GUERREIRO”
AS CONTRIBUIÇÕES DO RAPPER CRIOLO COMO UMA ALTERNATIVA METODOLÓGICA NO ENSINO DE HISTÓRIA
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https://doi.org/10.56579/epistimoniki.v3i2.92Keywords:
Ensino de História, Música, Rap, Base Nacional Comum Curricular, Letramento Racial CríticoAbstract
O presente artigo analisa o rap, encarando-o como uma rica manifestação cultural e uma ferramenta pedagógica valiosa para o ensino de História, sobretudo para discussões acerca das questões étnico-raciais, em consonância com as diretrizes da Lei 10.639/2003, da Lei 11.769/2008 e da BNCC. Nesse sentido, adotando uma abordagem qualitativa, o estudo integra a revisão bibliográfica a análise documental dos marcos normativos, tendo como foco o exame da canção “Povo Guerreiro” (2018). O arcabouço teórico estabelece uma conexão entre o conceito de representação de Chartier (1990), os estudos decoloniais Quijano (2005) e o letramento racial crítico de Ferreira (2015) e (2018). Esse estudo identifica, na canção, tópicos como escravidão, resistência, e desigualdade, relacionando-os com a persistência do racismo estrutural. Dessa forma, a discussão proposta apresenta sugestões para a aplicação do rap em sala de aula, por meio de sequências didáticas voltadas ao desenvolvimento do pensamento histórico e à educação antirracista.
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